POLÍTICA

18/02/2018 as 23:06

O que tem à ver Lula, Reforma da Previdência e Intervenção Federal no Rio de Janeiro?

Isoladamente, nenhum desses assuntos estão interligados. Mas, pelo prisma político, se encaixam como luvas


José Américo

Política Nacional
Os bastidores do poder em Brasília
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Vejam bem: Lula teve sua prisão confirmada pelo TRF-4 e esta inelegível pela Lei da Ficha Limpa, sem falar que pode ser preso já agora em Março, caso os derradeiros recursos da sua defesa não surtam o efeito desejado.

Resta-lhe um recurso ao Supremo Tribunal Federal para evitar sua prisão, no entanto, nem mesmo seus mais próximos aliados acreditam no sucesso desse pleito.

Lula saindo, definitivamente, do páreo o cenário muda completamente.

Muda tanto que até o presidente Temer – o mais mal avaliado presidente da história recente – já admite que pode arriscar e disputar uma reeleição.

A recuperação econômica do Pais, a redução das taxas de juros, a retomada da indústria, novos postos de emprego criados com carteira assinada e a Reforma Trabalhista, animaram o mercado financeiro e reduziram a inflação para além das expectativas desejadas. Ninguém pode negar que estes feitos são conquistas do seu governo.

No entanto, sua pauta reformista entalou na Reforma da Previdência. Esperava-se muita dificuldade para a aprovação, mas não achava-se impossível. Agora...

Prevendo um fracasso nessa pauta e de olho na possibilidade de resgatar uma certa popularidade, e sustentar sua pretensão eleitoral, Temer abandonou a Reforma da Previdência, jogou na conta do Congresso Nacional esse problema e abraçou o combate a violência como sua nova bandeira - uma das causas mais caras à sociedade brasileira nos últimos anos e, com certeza, uma das pautas da campanha política deste ano.

Se vai dar certo essa jogada, isso é outro assunto.

Ao decretar a intervenção Federal na segurança publica do estado do Rio de Janeiro, o presidente dá uma cartada sela o seu futuro político.

Aproveitou os últimos episódios de violência durante o Carnaval e viu na desgraça de mortos e outras vítimas a oportunidade de dar a volta por cima, com uma jogada de marketing.

Decretou a intervenção e ainda criou o Ministério da Segurança Pública.

Mais uma vez vemos interesses políticos/partidários se sobreporem aos interesses do Estado, ou seja, da sociedade.

O Rio de Janeiro precisa de uma intervenção total e não só no aparelho de segurança.

A crise do Rio afeta toda a estrutura de governo. É como um paciente com um câncer em fase terminal, quando todos os órgão já estão contaminados pela doença. Não será o combate ao crime organizado nos morros que salvará o Rio. Lá é necessário combater o crime em todas as instituições onde já se instalou.

Talvez, com mãos de ferro, a forte presença das Forças Armadas, uma sensação de segurança possa ser sentida pela população, porém, acabando a intervenção – o prazo é até 31 de Dezembro – todo volte a ser como é atualmente ou até piore. Não se trata essa “doença” direto na ferida. Tem que atacar a causa da ferida. Isso todos nós estamos carecas de saber. E Temer também sabe.

Mas o que interessa a ele e seus aliados é a sobrevivência política. Nada mais.

Aí, vale até, intervenção Federal e criar mais um ministério.

Se criar ministérios fosse solução para os nossos problemas, o governo Dilma, com seus 37 ministérios, teria sido um sucesso.

Não foi o que vimos.


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