POLÍTICA

26/02/2018 as 08:51

Você sabia que Março abre a temporada de compra e venda de deputados?

Início da “janela partidária” - período permitido para a mudança de legenda - intensifica negociações com deputados, recursos para campanha são a principal oferta


José Américo

Política Nacional
Os bastidores do poder em Brasília
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Com a proximidade do início do período permitido para a mudança de partido, em 7 de março, legendas intensificaram as negociações para atrair novos deputados e aumentar as chances de eleger uma bancada maior na Câmara em outubro.

A principal moeda de troca usada pelos partidos tem sido o dinheiro público que bancará as campanhas.

Ou seja o seu, o nosso dinheiro, aquele arrecadado em impostos, é que vai bancar essa farra.

Além do fundo eleitoral – criado no ano passado no Congresso Nacional -  estimado em R$ 1,7 bilhão, mais R$ 888 milhões do Fundo Partidário poderão ser distribuídos aos candidatos. Portanto são mais de 2,5 bilhões que estão em jogo.

A tal “janela partidária” foi instituída em 2016 por meio de uma emenda constitucional que, na prática, estabelece um período de 30 dias no qual parlamentares podem mudar de partido sem que percam os seus mandatos.

E não é por acaso que este ano o balcão de compra e venda de mandatos está mais agitado do que nunca.

Esta será a primeira eleição geral sem financiamento de empresas, proibido pelo Supremo Tribunal Federal em 2015. Com isso, candidatos terão, em tese, menos recursos para bancar gastos eleitorais, o que aumenta a disputa pelo dinheiro público.

Circula a informação, nos corredores do Congresso, que tem partido oferecendo até 2,5 milhão para o deputado que migrar de uma legenda para outra.

Por isso tem deputado que “se vende, e tem aqueles que "são comprados".

Tanto um quanto outro, na verdade, tá vendendo aquilo que não lhe pertence, ou seja, tá vendendo os votos que recebeu do eleitor para representa-lo – pelo menos deveria ser assim - pelo partido que foi eleito.

Os que “se vendem”, na maioria das vezes, querem dinheiro para fazer campanha no velho estilo, comprando votos e se mantendo na Câmara dos Deputados a qualquer custo.

Os que “são comprados”, muitas vezes, carregam consigo sucesso pessoal como artistas, ou personalidades e são considerados puxadores de votos para que os partidos elejam grandes bancadas às custas dos milhares de votos recebidos por eles e que somam para a legenda.

Daí surgem aqueles deputados, conhecidos como “poca urna”, que recebem 50, 100, 200 votos e terminam se elegendo em função da estrondosa votação de um famoso. O deputado Tiririca é um belo exemplo: se elegeu a primeira vez com 1,4 milhão de votos, levando consigo vários outros deputados que, sozinhos, nunca chegariam ao Congresso Nacional.

Esse é um dos males de um sistema político onde os partidos nada representam para o político e, muito menos para o eleitor.

Aqui, muitos de nós, nem lembramos em quem votamos nas ultimas eleições. Nem no político, nem no partido. Vergonha!

Se essa “janela” – verdadeira feira-do-rolo de deputados – existe, a culpa também é nossa.

Afinal, por não ser educado politicamente e, muitas vezes, abrir a boca e dizer que política é uma bobagem ou porcaria, deixamos de cumprir o nosso verdadeiro papel na sociedade.

Nos eximimos da responsabilidade de escolher com seriedade e responsabilidade aqueles que irão nos representar no Congresso Nacional e que serão responsáveis pela criação e fiscalização do cumprimento das leis. Essas mesmas leis, que somos obrigados a cumprir no nosso dia-a-dia.

Portanto, devemos ficar de olho nesse troca-troca de partidos e verificar se aquele deputado que “se vendeu” ou “foi comprado”, merece o seu voto nessa eleição de Outubro próximo.

Não adianta só reclamar da falta de segurança, saúde, educação, saneamento, transporte público e etc.

Se pensarmos direitinho em quem votar, poderemos começar a mudar o País. E mudar o País para mim é mudar para melhor a minha rua, a sua rua, a escola do meu filho e a escola do seu filho. Isso já seria um bom começo.


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