POLÍTICA

13/03/2018 as 15:13

As notícias falsas na internet, o Caixa 2 e a campanha política no Brasil

O jogo já esta sendo jogado e o TSE tem que está preparado para ser o “juiz” dessa disputa, sem parcialidade


José Américo

Política Nacional
Os bastidores do poder em Brasília
Arte<?php echo $paginatitulo ?>

Combate às notícias falsas (fake news) em redes sociais e a lisura do financiamento das campanhas eleitorais devem ser os principais desafios da Justiça Eleitoral nos próximos meses.

Semana passada a BBC Brasil – site de notícias da BBC de Londres na versão brasileira – publicou uma matéria exclusiva sobre investigação que apurou a utilização de perfis falsos na internet por parte da equipe de marketing da campanha de Dilma Rouself em 2010 com o objetivo de divulgar notícias falsas contra seus principais adversários

veja link com a matéria:

http://brazuca24horas.comd.br/2018/03/09/284/).


A notícia caiu como uma bomba nos meios políticos.

O tema já vinha preocupando autoridades da justiça eleitoral brasileira, a ponto do TSE, juntamente com a Polícia Federal criarem um força tarefa para combater esse tipo de prática nas eleições de 2018.

Este ano a campanha política vai ter mais espaço na internet em função do TSE ter autorizado a propaganda paga nas redes sociais e aplicativos de mensagens. Mas, junto com a propaganda vem uma avalanche de outros conteúdos, inclusive, notícias falsas.

Recente pesquisa publicada nos estados Unidos revela um dado ainda mais preocupante.

Notícias consideradas falsas se espalham mais facilmente na internet do que textos verdadeiros. A conclusão foi de um estudo realizado pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês), instituição de ensino reconhecida mundialmente pela qualidade de cursos de ciências exatas e de áreas vinculadas à tecnologia.

Os pesquisadores Soroush Vosoughi, Deb Roy e Sinan Aral analisaram 126 mil mensagens (não apenas notícias jornalísticas) divulgadas na rede social Twitter entre 2006 e 2017. No total, 3 milhões de pessoas publicaram ou compartilharam essas histórias 4,5 milhões de vezes. O caráter verdadeiro ou falso dos conteúdos foi definido a partir de análises realizadas por seis instituições profissionais de checagem de fatos.

Os autores estimaram que uma mensagem falsa tem 70% mais chances de ser retransmitida (retuitada, no jargão da rede social) do que uma verdadeira. As principais mensagens falsas analisadas chegaram a ser disseminadas com profundidade oito vezes maior do que as verdadeiras. O conceito de profundidade foi usado pelos autores para medir a difusão por meio dos retuítes (quando um usuário compartilha aquela publicação em sua rede).

O alcance também é maior. Enquanto os conteúdos verdadeiros em geral chegam a 1.000 pessoas, as principais mensagens falsas são lidas por até 100.000 pessoas. Esse aspecto faz com que a própria dinâmica de “viralização” seja mais potente, uma vez que a difusão é “pessoa a pessoa”, e não por meio de menos fontes com mais seguidores (como matérias verdadeiras de contas de grandes veículos na Internet).

Para especialistas brasileiros esta eleição será colocará à prova as autoridades da Justiça Eleitoral, da Polícia Federal e seus mecanismos de fiscalização e combate às notícias falsas (Fake News).

O Caixa 2 nas campanhas

Mas não só isso preocupa as autoridades. Com a proibição de doações empresariais para partidos e candidatos, a única fonte de financiamento de campanhas sera o Fundo Eleitoral e a verba do Fundo Partidário. Somados serão mais de R$ 2,5 bilhão. Mas todos acham que as campanhas gastam muito mais.


Tudo leva a crer que nesta eleição o caixa 2 continuará a existir mesmo com todo o esforço de combate e punição que vemos através da Operação Lava Jato que já resultou em prisões e condenações de políticos e empresários.

"O caixa 2 é uma irregularidade autônoma. Para você punir o caixa 2, você não precisa provar a origem (ilícita) daquele dinheiro, porque ele é ilícito por si só. Afinal de contas, quem está usando caixa 2 para se bancar está violando primeiramente a democracia", afirma a procuradora Silvana Batini, professora de direito eleitoral da FGV-Rio.

"Quem pratica o caixa 2 está sendo desleal com os outros concorrentes e está sendo pouco transparente com seus eleitores. Isso viola o princípio da isonomia, do equilíbrio, da normalidade, da legitimidade das eleições", disse ainda.

A opinião é semelhante a do jurista Luiz Flavio Gomes, ex-juiz de direito e hoje presidente do Instituto Avante Brasil.

"A gravidade desse crime está nas suas consequências. É também um crime à democracia. O caixa 2 desiguala os candidatos. Quem tem caixa 2 tem dinheiro por fora e pode então vender sua imagem para muito mais gente. Os outros candidatos ficam numa desvantagem imensa", afirma.

Como podemos observar o problema é maior do que imaginamos.

O fato é que as campanhas já estão nas ruas. Semana passada já foram oficializados 10 pré-candidatos.

(http://brazuca24horas.com.br/2018/03/12/partidos-ja-lancam-pre-candidaturas-para-eleicao-presidencial-de-outubro/)

O jogo já está sendo jogado e o TSE tem que esta preparado para ser o “juiz” dessa disputa, sem parcialidade.


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