POLÍTICA

18/03/2018 as 22:07

Marielle, André Moura, Fake News e Eleições 2018

Fake news e relatos com ofensas, enviadas para e-mail do departamento jurídico, serão encaminhadas para a polícia e podem sofrer processos judiciais


Tiago Hélcias

Editorial da Semana
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A equipe jurídica voluntária montada pelo Psol, partido da vereadora Marielle Franco, assassinada na quarta-feira (14) com o motorista Anderson Pedro Gomes no Rio de Janeiro, recebeu, desde sábado (17), mais de 2.000 e-mails com relatos falsos sobre as vítimas.

Os prints de publicações em redes sociais, como Facebook, Twitter e Instagram, serão encaminhados para a DRCI (Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática) do Rio de Janeiro. Os mais pesados, principalmente os publicados em sites de grande circulação ou proferidas por figuras com importante papel institucional, terão tratamento jurídico considerado adequado pela sigla — ou seja, caberá também um processo judicial individual para cada propagador de notícia falsa.

Os voluntários jurídicos estão recebendo, lendo e organizando as denúncias, conforme fonte do partido.

A orientação já havia sido passado no sábado: “Avisem a quem mandar áudios de WhatsApp ou posts com calúnias contra Marielle que há uma grande equipe jurídica voluntária rastreando tudo e que quem compartilhar esse lixo será devidamente processado. Ela não será difamada. Não permitiremos. Precisamos dos prints e dos links dos posts. Precisamos de fazer ata notarial em casos mais graves, antes que a pessoa apague o post”.

“Há uma rede de ódio permanente nas redes sociais. Transbordou a orientação política. Tem a ver com o estado de barbárie atual do país”, afirma a vereadora Sâmia Bonfim (Psol-SP).

Na sexta-feira, a desembargadora Marilia Castro Neves, do Rio, publicar um comentário no Facebook insinuando que a vereadora Marielle Franco “estava engajada com bandidos” e que seu comportamento, “ditado por seu engajamento político”, foi determinante para o assassinato. O comentário foi posteriormente transformado em notícia falsa repassada por sites de movimentos políticos.

À colunista Mônica Bergamo, do jornal “Folha de S. Paulo”, Marília disse que nunca conheceu ou ouviu falar da vereadora antes do crime e que sua fonte de informação seria um texto enviado por uma amiga.

Notícias falsas contra a vereadora podem ser encaminhadas por meio do e-mail da setorial jurídica do Psol: contato@ejsadvogadas.com.br.

 

André Moura

 

Poe aqui, na terra dos cajus, o líder do governo federal, Deputado André Moura tem sido um dos principais alvos de notícias falsas e esses dias lamentou que a pré campanha eleitoral de 2018,  já começou com a distribuição de fake news. Segundo o deputado a razão para esta ação, “considerada por ele como deletéria e imoral, é o incômodo provocado pelo reconhecimento do seu trabalho em Brasília. 

Ainda segundo a nota, “os adversários de André estão preocupados com o desempenho do deputado, observado em todas as pesquisas divulgadas desde novembro de 2017. De fato, ele foi o pré-candidato que mais cresceu nas pesquisas. Ele também aparece bem para os dois cargos majoritários. André, ainda, foi quem mais teve reduzida a rejeição e está numa curva ascendente de crescimento nas intenções de votos. Isso tem tirado o sono dessa gente que vive requentando notícias e publicando ‘fake news', desabafou o deputado.

 

O impacto das Fake News nas Eleições 2018

 

O vídeo que circulou nas redes sociais, com o título: “Denúncia: Deputado marca presença de colegas ausentes”, que retratava um suposto deputado relacionando a presença dos colegas faltosos em uma sessão na Câmara Federal, é verdadeiro? A notícia que circulou na internet de que o STF autorizou o monitoramento do Whatsapp de todos os brasileiros é real? A publicação da informação de que quem não votou nas últimas eleições, não poderá votar no pleito desse ano, está correta?

A resposta para as três perguntas acima é NÃO! No entanto, por que tais notícias parecem ser verdadeiras e temos a impressão de que já as vimos em algum lugar? Isto se dá, pois estes boatos tratam-se de Fake News (notícias falsas) e circularam nas redes sociais, criando intensos debates na internet.

A fúria que se verifica nos comentários sobre o vídeo do suposto deputado flagrado, demonstra o poder de influência das Fake News, especialmente junto aos eleitores. Ironicamente, o vídeo viralizado não era de um político brasileiro, na verdade tratava-se de um vídeo gravado e publicado na Ucrânia, em 2017.
 
Entretanto, tal denúncia mentirosa teve grande repercussão na internet, fazendo com que os internautas publicassem seus posts, destilando sua indignação nas redes sociais (podendo atingir milhares ou até milhões de pessoas), estimulando ataques genéricos aos políticos brasileiros e a quaisquer parlamentares supostamente apontados como flagrados ou beneficiários daquele ato ilícito, presente no vídeo.
 

As Fake News ganharam notoriedade após a campanha para eleição de Donald Trump, nos Estados Unidos, em 2016, quando as pesquisas apontaram que realmente houve uma influência direta das Fake News nas eleições norte americanas e que, inclusive, 27% do eleitorado teriam acessado, pelo menos, uma Fake News nas semanas que antecederam a eleição presidencial.

Na Inglaterra, o termo “Fake News”, foi classificado como a palavra do ano de 2017, pela editora Collins, e receberá menção em um dicionário britânico. Já na Alemanha, em um campo de 27 milhões de tweets publicados, relacionados à campanha eleitoral, 14% eram Fake News, ou seja, mais de 3 milhões e 700 mil tweets tratavam de informações falsas. Aliás, existem bots (robôs) que podem publicar mais de mil tweets por segundo, provando, assim, a facilidade de se viralizar algo inverídico nas redes.
Este tema tem trazido muita preocupação, a ponto de o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) se mobilizar para combater e inibir as Fake News nas campanhas eleitorais deste ano. Também já existem diversos projetos de lei apresentados na Câmara e no Senado para criminalizar as Fake News no Brasil.

O grande problema é que tais notícias falsas têm se utilizado do compartilhamento irresponsável de muitas pessoas na rede, que estão disseminando notícias mentirosas, sem verificar previamente sua veracidade. Inclusive, há casos que o compartilhamento é realizado após o indivíduo ler apenas a manchete, desconhecendo por completo o conteúdo compartilhado.

Nota-se, também, que o Facebook não tem obtido pleno sucesso no combate às Fake News disseminadas em sua plataforma. Devido a estas dificuldades de controle, algumas empresas, que investem milhões em anúncios digitais, já informaram que irão cortar seus anúncios do Facebook e do Google, caso não se note uma mobilização das duas corporações em um combate eficaz às Fake News.

Revela-se, assim, que a preocupação com o tema é mundial. Todavia, a apreensão tem surtido efeito na mobilização de órgãos públicos e privados para o combate das Fake News. Estas iniciativas são muito importantes para as próximas eleições, principalmente porque já há no mercado empresas que vendem serviços de criação e viralização de Fake News para campanhas políticas.

Portanto, o combate às Fake News deve ser realizado por todos, tanto pelas empresas de tecnologia, como pelos órgãos governamentais, e até mesmo por cada um de nós, que hoje temos voz e vez nas redes sociais, modificando nosso papel social e nossa responsabilidade, obrigando-nos a conferir a informação antes de publicá-la ou compartilhá-la. Quem sabe assim, um amadurecimento efetivo no combate às notícias falsas se materializará, e o impacto das Fake News nas eleições será menor do que o esperado, prevalecendo à verdade e a própria Democracia.

 

*Com informações do Brazuca 24 horas, R7 e Estadão

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