POLÍTICA

20/03/2018 as 15:26

Petrobras fecha FAFEN e políticos hibernam em Sergipe

O fechamento inclui também a unidade de Camaçari na Bahia que só em 2017 já acumula prejuízo de R$ 200 milhões de reais


Tiago Hélcias

Editorial da Semana
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A decisão caiu como uma bomba no colo do Governador Jackson Barreto no final da tarde de segunda (20/02). O comunicado do fechamento se deu por telefone. Do outro lado da linha estava o Presidente da Petrobras Pedro Parente que informou, sem ao menos, consultar de forma oficial o governo, de que já estava em andamento um tal estudo que irá ser anunciado ainda essa semana, quinta (23/02), o fechamento no mês de junho da Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) instalada em Laranjeiras. 

Parente alegou que a empresa vem dando prejuízos consecutivos, tornando a continuidade da operação industrial inviável do ponto de vista econômico, da ordem que somente em Sergipe pode chegar a R$ 600 milhões. O fechamento inclui também a unidade de Camaçari na Bahia que só em 2017 já acumula prejuíso de R$ 200 milhões de reais. 

E nota oficial, a Petrobras usou o termo "hibernar" que em sua etimologia significa, entre outros, estado ou circunstância de ociosidade, ou seja, é uma espécie de ócio ou desocupação. 

A decisão de hibernar as unidades fez com que fosse necessária uma avaliação do valor recuperável das duas plantas. Em função disso, o resultado anual, divulgado na última quinta-feira (15/3), apresentou provisão para perda (impairment) com as fábricas de fertilizantes no montante de R$ 1,3 bilhão.

E conclui dizendo que até concluir o processo de interrupção da operação, no final do primeiro semestre de 2018, a companhia conversará com clientes e fornecedores para encontrar as soluções mais adequadas para a transição.

As duas unidades contam atualmente com cerca de 550 empregados próprios e tentará realocar as pessoas em outras unidades da companhia. (leia nota oficial)

Sobre a Fafen-SE

A Fafen-SE entrou em operação em 1982. A unidade tem como principais produtos ureia fertilizante, ureia para uso industrial, amônia, gás carbônico e sulfato de amônio (também usado como fertilizante).

Repercussão negativa

Bem, a decisão gerou reações dos principais políticos sergipanos e entidades ligadas a trabalhadores que de forma imediata fizeram questão de se manifestar sobre o assunto. 

Jackson Barreto - Demonstrou Preocupação com as demissões e principalmente com o desequilíbrio econômico que o fechamento irá causar, haja vista, a Fafen gera um ciclo econômico virtuoso pela atividade que executa, tanto do ponto de vista da arrecadação de impostos, como no da geração de uma economia produtiva com fornecedores, prestadores de serviços, empresas que dão suporte a operação, e principalmente, as diversas fábricas de fertilizantes que estão instaladas no entorno da fábrica pela proximidade de acesso a matéria prima produzida por ela. E informou a imprensa que iria agendar audiência de emergência com o Presidente Michel Temer e com toda bancada federal na quinta-feira (22/02).

André Moura - Com ação republicana, ressaltou que estará atuando em conjunto com o Governador e demais parlamentares. Em nota, o líder governista foi taxativo em dizer que não aceitava como a decisão foi tomada sem diálogo prévio. O deputado terá audiência com o presidente da República nesta tarde (20/02) para tratar do assunto e solicitar que receba os governadores, senadores e deputados federais dos dois estados. (leia nota oficial)

Valadares - Pelo Twitter, o Senador do PSB disse que irá protestar na sua retomada do mandato contra o fechamento da Fafen, anunciado pelo pres Temer do MDB e que a decisão além de retirar o emprego de centenas de trabalhadores humilha o nosso Estado como membro da federação, onde o Governador sequer foi ouvido, apenas comunicado.

Eduardo Amorim - Em vídeo, o Senador do PSDB disse que recebeu a notícia com estranhesa e decepção. Ressaltou que fechar a Fafen é ir de encontro ao crescimento da agricultura e que irá buscar os meios legais junto a Petrobras e ao Governo Federal para evitar tal situação.

Opinião 

O fato, é que o fechamento da Fafen é apenas mais um reflexo da dilapidação do patrimônio que a empresa petrolífera vem passando ao longo dos últimos anos. A "nossa" maior empresa foi enlameada pela corrupção e a muito tempo o petróleo deixou de ser a expressão usada em campanhas publicitárias. (O petróleo ainda é nosso)

Creio que de nada irá adiantar políticos se esforçarem agora para tentar impedir a consumação do fato, não há mais tempo e dificilmente irão convencer a empresa a manter-se no estado diante de números tão robustos. Foram negligentes todos esses anos e não por falta de aviso. Basta lembrar da venda da VALE para o grupo americano, da falta de interesse da empresa em explorar a bacia de petróleo em águas profundas no estado e as dezenas de demissões que tudo isso vem causando em Sergipe. Todos hibernaram eu seus castelos e agora querem jogar pra torcida mais uma grande derrota do povo sergipano, até quando??

 

 

 

 

 


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