CIDADES

20/05/2019 as 21:25

Tiago Hélcias: A FALÁCIA DO TURISMO EM SERGIPE

Turismo nessa terra não passa de uma grande mentira para inglês ver, nunca foi prioridade.


Tiago Hélcias

Editorial da Semana
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Amanhecemos dias atrás com a informação de que graças ao empenho do governo do estado, as companhias aéreas GOL e AZUL retomam voos diretos para São Paulo e Salvador respectivamente da nossa capital sergipana. Encheram a boca para alardear aos quatro ventos da negociação que fizeram no intuito de conceder redução na alíquota do combustível das companhias.

Ao que parece, é o mesmo tipo de negociação feita recentemente para que pudéssemos ter voos diretos para Buenos Aires duas vezes por semana e que o governo do estado não honrou.

Isso mesmo, naquele momento fizeram uma festa danada pela “conquista” e no fim a GOL fechou a rota e deixou de abastecer suas aeronaves para outros trechos em Aracaju. O negócio não durou nem seis meses.

O resultado são passagens absurdamente caras com itinerários escrotos que obriga quem sai ou quem chega a ter muita paciência para enfrentar 12 horas de viajem em trechos como Aju/Sp/Recife.

Hoje é mais negócio e mais compensatório pegar voo em Salvador do que no aeroporto “internacional” Santa Maria, uma grande vergonha.

Não sou um especialista na área, mas até mesmo um leigo sabe que fazer turismo exige a junção de muitos setores em uma mesma engrenagem, é o básico.

Imediatamente isso me faz lembrar o quanto o estado e a nossa capital estão desprovidos de políticas públicas sérias que fomentem o turismo na terra dos cajus, uma condição que se repete há décadas, um verdadeiro show de amadorismo.

Os problemas começam com o fato das Secretarias de turismo, estadual e municipal, quase sempre serem comandadas por gente que no setor não sabe fazer um "O" com um copo e sempre utilizam como cabide de emprego para acomodar os aliados da hora.

Um exemplo disso aconteceu recentemente. Um evento foi realizado na orla de atalaia para discutir sobre os valores das ocupações estarem defasados, o que tem causado alguns problemas graves na manutenção hoteleira, haja vista, nada é feito de forma oficial por parte do poder público para atrair os turistas.

Você viu alguém da tal Secretaria de Turismo por lá? Nem eu e nem quem estava na reunião. O pior é a imprensa fazer vista grossa e ser conivente com essas coisas, tem muita gente no bolso dessa thurma.

Outro exemplo, no início do ano aconteceu em Madrid na Espanha, a maior feira de turismo no mundo. Mais de 100 países tiveram a chance de mostrar seus principais destinos para a união europeia. Eu estava lá e como jornalista convidado pude ver de perto como o turismo tem sido tratado com muito profissionalismo. Os países foram separados por continentes e o que mais me chamou atenção foram os estandes da região africana, onde usaram e abusaram de seus ritmos e da diversidade cultural, um espetáculo.

Porém o que mais me chamou atenção foi o estande do Brasil. Nem todas os estados estavam presentes. Bahia e Ceará por exemplo, optaram em montar separadamente seus estandes. No mais, apenas Rio, São Paulo, Minas Gerais, Alagoas, Pernambuco aproveitaram o espaço “cedido” pelo Ministério do Turismo. E Sergipe? De acordo com a Embratur existe um cronograma que é passado para todos os estados de forma antecipada para que possam atender as exigências de cada evento e segundo fui informado, Sergipe não apresentou e nem demonstrou nenhum interesse. 

Por aqui e com um olhar mais atento, nossos principais destinos só não estão piores graças a iniciativa privada que mesmo sem nenhuma parceria sobrevive aos trancos e barrancos. Nesse sentido, todos sabem que turismo e cultura devem andar de braços dados e é aí que Sergipe é um verdadeiro show de amadorismo.

Agora inventaram uma tal de FUNCAP - Fundação de Cultura e Arte Aperipê de Sergipe, órgão vinculado à Secretaria de Educação e que passa a ter a responsabilidade, teoricamente, de fomentar à cultura, às letras, às artes, à arte-educação, ao folclore e às manifestações artísticas e culturais populares; a preservação, a guarda e a gestão do patrimônio histórico, artístico, cultural, arqueológico, paleontológico e ecológico; e a administração dos equipamentos culturais e artísticos. Nome e funções pomposos, na prática, mais uma manobra política tendo a economia de gastos como justificativa para sua criação.

Digo isso porque comenta-se que o Governo do Estado mudou a forma de reserva  das pautas relacionadas aos teatros. O que antes era cobrado por diária, agora seria por sessão. Isso na prática inviabilizaria a realização de produções locais, haja vista que cada sessão custaria o valor de R$ 6.000,00 – ou seja, o tal discurso incentivador difere da realidade. Para piorar, a reforma do Teatro Tobias Barreto era pra ter sido entregue em Fevereiro e hoje dizem que não há previsão de entrega, os engenheiros responsáveis encontraram todo o prédio em situação degradante o que deixou a conclusão do serviço ainda sem data definida, o mesmo parece que acontece com o Centro de Convenções.

 O tal país do forró só vale para a época junina e olhe lá. Não há planejamento antecipado na hora de promover a nossa maior tradição como fazem os baianos que aproveitam o próprio carnaval para “vender” as cidades que realizam a festa. Aqui tudo é feito a toque de caixa e repique de sino, o que inviabiliza o próprio trade se planejar melhor para atrair os turistas.

Além disso, não há como não perceber que há tempos deixamos de ser rota de grandes espetáculos. Vivemos de “shows” dos mesmos artistas em festas privadas e em locais públicos. Nossos principais espaços culturais sofrem a ação do tempo, como o Teatro Atheneu, Lourival Baptista, Centro de Criatividades, Rua 24 horas, Orlinha pôr do Sol, Orla do Bairro Industrial e roteiros no interior do estado padecem de projetos perenes.

Turismo nessa terra não passa de uma grande mentira para inglês ver, nunca foi prioridade, uma verdadeira falácia.

 


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